Escrito por Ivy Frizo de Melo (Teal Brasil)*
Entrevista feita por Simone Venâncio e Caren Sapienza*

“A gente quer resolver o problema econômico do mundo, a gente quer de fato que as relações sejam fraternas e que o mundo seja mais justo.”

ELISA ALKMIM

O impulso

A Rede Economia Viva nasceu do desejo de criar uma rede de empreendedores para atuar no mundo a partir da prática e disseminação de uma economia fraterna, consciente, justa e próspera. 

Rodrigo Ventre, após seus estudos e experiências profissionais na Europa nas áreas de Empreendedorismo e Economia, com base na Antroposofia e no trabalho de Rudolf Steiner, começou a se perguntar sobre quais seriam os rumos do atual modelo econômico da humanidade e como poderíamos agir de forma proativa para influenciar e transformar a realidade econômica e social de onde vivemos e atuamos. Desses questionamentos nasceu o Instituto Economia Viva e a Formação em Economia Viva. No último módulo da formação, em 2019, surgiu a ideia da criação da Rede Economia Viva (REV), como uma forma de praticar e disseminar os aprendizados. Rodrigo Bergami e Elisa Alkmim, ambos parte da primeira turma da formação, estavam vivendo uma exitosa experiência de trabalho em rede na Associação ComViver, formada por facilitadores do Programa Germinar, e toparam o desafio de criar uma proposta de empreender em rede a partir de um modelo sociocrático.

Em agosto de 2019, juntamente a outros integrantes da formação em Economia Viva, a rede começou a se estruturar com a definição de seus pilares, valores, atitudes e a estruturação do desenho organizacional baseado em um modelo sociocrático de gestão.

O grupo é formado por pessoas que se identificam com o propósito evolutivo de contribuir para a construção de uma economia mais fraterna, consciente, justa e próspera. É preciso muita energia e alinhamento para fazer com que o dinheiro possa cumprir um papel sanador e traga saúde a esse sistema vivo chamado Economia, mas dedicação e vontade parecem não faltar.

O alinhamento foi feito por meio de Atitudes, Valores e Pilares. A Rede procura manifestar seu propósito por meio das Atitudes observar, criar, empreender e simplificar. Seu agir no mundo está baseado nos valores da cura individual e social; na transformação do potencial em competência; no desenvolvimento humano e organizacional; na inspiração a partir da prática; e no acolhimento e respeito ao próximo. Os pilares que sustentam a cultura organizacional são a ampliação da consciência a partir da Antroposofia, a trimembração do organismo social e o fato de ver a Economia Viva como uma missão de vida. Elisa afirma que existe uma identificação muito grande, por parte das pessoas que formam a Rede, com relação ao que cada integrante quer ver transformado no mundo.

A REV é vista por seus membros como um organismo vivo. Os produtos e serviços oferecidos foram criados por seus integrantes a partir de seus contextos, territórios, afinidades e vivências. As principais atividades desenvolvidas pela rede hoje são:

• Formação em Economia Viva (Instituto + Rede)

• Coaching Financeiro

• Consultoria de Gestão Trimembrada

• Workshop Dinheiro

Desafios do pioneirismo

“O que é empreender em rede de verdade?”

Elisa Alkmim

Nos últimos meses, a Rede enfrentou um grande desafio. O grupo constatou que nem todo mundo estava efetivamente contribuindo com os objetivos propostos. A falta de clareza com relação à definição dos papéis, aos modos de operar e ao nível de engajamento e participação efetiva de cada membro dificultava a tomada de decisão. A REV passou por um processo de transição, e alguns dos membros foram convidados a fazerem uma escolha, de onde gostariam de colocar a sua energia de empreender. Foram definidos níveis de engajamento possíveis dentro da rede: empreendedores, apoiadores e parceiros. O grupo começou com 18 participantes e depois desse processo permaneceu com 12 empreendedores ligados diretamente à operação e 6 parceiros participando de forma mais indireta. Integrantes relataram que foi uma experiência difícil e desafiadora, mas que trouxe muitos aprendizados relacionados à necessidade de clareza, alinhamento e dedicação de cada membro.

As transformações estão sempre presentes, posto que é um organismo vivo, e os desafios diários são os mais variados. Vão desde desenvolver a parte comercial de forma proativa, potencializar a comunicação com o público-alvo, manter a saúde financeira da organização, até aprender a empreender em rede.

O modelo organizacional estruturado não se encaixa em nenhum modelo institucional existente. Essa é a dor de diversas iniciativas que desenvolvem seu trabalho de forma pioneira. A rede não tem CNPJ e ainda recorre ao CNPJ do Instituto Economia Viva quando necessário. 

Apesar dos desafios, há muita energia, vontade e conexão com o propósito para alimentar esse organismo vivo e contribuir para a estruturação de um modelo econômico que sirva a vida. Elisa afirma que sempre esteve no sonho do Rodrigo multiplicar essa semente de um trabalho desenvolvido com o intuito de trazer consciência e ferramentas de atuação, alinhadas com a visão de uma nova economia, que é centrada no ser humano, onde é ele quem dirige o dinheiro e o mercado, ou seja, a própria vida econômica. (…) A gente acredita muito no potencial do trabalho da Rede. Tem casos reais pequenos de pessoas (…) e grupos que a gente atendeu e pôde ver o quanto se transformou. Dá pra sentir na pele essas pequenas transformações que vão acontecendo. Isso é muito vivo e muito real pra todo mundo.”

Rede Economia Viva

A Rede Economia Viva nasceu do desejo de criar uma rede de empreendedores para atuar no mundo a partir da prática e disseminação de uma economia fraterna, consciente, justa e próspera.